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21/10/2013 - 17:30hs
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Tradução é caminho para diálogo global

Encontro promovido pela Biblioteca Pública da Arábia Saudita em São Paulo nesta segunda-feira (21) aponta a tradução como fundamental para integração do mundo. Foco da discussão foi idioma árabe.



Aurea Santos/ANBA

Vargens: tradução transcende limites

São Paulo – A tradução de obras de diferentes línguas é um dos principais caminhos para o diálogo entre povos de países distintos. Assim, é fundamental que os profissionais de tradução conheçam não só o idioma para o qual traduzem os textos, mas também a cultura e os costumes dos povos que irão lê-los. Estes foram alguns dos principais pontos destacados no Sexto Encontro de Diálogo – Questões de Tradução promovido nesta segunda-feira (21) pela Biblioteca Pública Rei Abdulaziz, da Arábia Saudita, em São Paulo.

O encontro faz parte das solenidades do Prêmio Internacional do Guardião das Duas Mesquitas Sagradas Rei Abdullah Bin Abdulaziz Al Saud para Tradução, que tem o brasileiro João Baptista de Medeiros Vargens, professor de Língua Árabe da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), como um dos ganhadores.

Em sua sexta edição, o prêmio já aconteceu na Arábia Saudita, Marrocos, China, França e Alemanha. “Agora estamos vindo para o Brasil porque o Brasil é também uma porta para a América do Sul. Esperamos fazer um intercâmbio de culturas entre o povo do Brasil e do mundo árabe, (o árabe é) língua que é falada por mais de 100 milhões de pessoas”, explicou Faisal Muaammar, supervisor-geral da biblioteca saudita.

“A relação entre a Arábia saudita e o Brasil é muito importante, mas estamos agora tentando ligar os povos e as línguas. Estamos falando sobre tradução e tradução é sempre uma ponte entre culturas, entre pessoas, entre civilizações. Nossa estratégia neste prêmio é organizá-lo todo ano em um dos principais países do mundo que falem outras línguas que não o árabe”, apontou Muaammar.

Para Mohamed Habib, egípcio radicado no Brasil há 41 anos e professor de biologia da Universidade de Campinas, as obras técnicas são as mais fáceis de traduzir. A dificuldade se encontra na tradução dos costumes. “Traduzir engenharia, física, é fácil. A coisa mais difícil é traduzir sentimentos, cultura”, afirmou. “O tradutor tem que ser totalmente capaz de fazer a tradução correta. E é uma questão difícil porque uma palavra em árabe pode ter vários sentidos”, lembrou.

Luis Miguel Cañada, diretor da Escola de Tradutores de Toledo, na Espanha, e também ganhador do prêmio, ressaltou que “a tradução necessita esforço, paciência e conhecimento”. À plateia, ele contou que, anualmente, são publicados na Espanha 100 mil livros, dos quais 25% são traduções. Desta parcela, no entanto, os livros traduzidos do árabe ainda representam muito pouco. “De 1995 a 2010, 0,23% dos livros traduzidos na Espanha vieram do árabe”, ressaltou.

Para Zaid Al Assaf, diretor do Centro Árabe para Arabização, Autoria da Tradução & Publicação, “o objetivo da tradução é criar pontes e fundamentos de comunicação e entendimento entre os povos”. “Sem tradução, os livros ficam apenas para a elite”, avaliou.

Hannelore Lee-Jahnke, presidente honorária da Conferência Internacional Permanente dos Institutos Universitários de Tradutores e Intérpretes (Ciuti), da Suíça, afirmou que a questão dos tradutores de árabe tem se tornado importante até na Organização das Nações Unidas. “A minha geração está se aposentando e não há bons tradutores vindo”, disse.

Falando sobre o ensino da profissão de tradutor, Martin Forstner, secretário-geral da Ciuti, apontou a importância de promover um diálogo entre a teoria e a prática. “Se você quer treinar os estudantes para serem tradutores confiantes, os professores precisam ter experiência em tradução.”

“A prática da tradução deve ser encorajada. O papel do tradutor e da tradução transcende qualquer limite”, ressaltou Vargens. O professor carioca afirmou ainda que é importante absorver as técnicas e estudos modernos em tradução “mas não devemos desprezar nosso velho amigo, o dicionário. Na hora H, é esse aqui que está sempre ao nosso lado”, completou. O professor da Universidade de São Paulo (USP), Mamede Jarouche, foi o mediador do debate. 

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