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08/03/2015 - 07:00hs
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Um mestre no dabke

Libanês Tufic Nabak se mudou para o Brasil na adolescência e construiu carreira como dançarino e professor de dabke, a alegre dança folclórica árabe. Ele ensina o elenco da minissérie Dois Irmãos, da Rede Globo.



São Paulo – Desde outubro do ano passado, o libanês Tufic Nabak destina várias horas da sua semana para ensinar dabke, dança folclórica árabe, a atores da Rede Globo. Nabak se mudou do Líbano para o Brasil na adolescência e atualmente dá aulas a participantes da minissérie Dois Irmãos, que está em gravação na emissora. A produção tem como base o livro do mesmo nome do escritor Milton Hatoum, que conta a história de uma família de imigrantes libaneses moradora de Manaus. 

Divulgação

Nabak: artes cênicas e dança árabe

Ainda não foi divulgada a data em que a minissérie entra no ar. Nabak conta que recebeu o convite do diretor, Luiz Fernando Carvalho, que também dirigiu Lavoura Arcaica, filme que tem temática árabe e no qual Nabak participou como elenco de apoio. “É muito gratificante ele ter lembrado de mim após 16 anos e me convidar para ministrar as aulas de dabke, sendo que na época do filme eu fui apenas elenco de apoio”, afirma o dançarino.

Nabak é um dos maiores especialistas em dabke no Brasil. Nascido na cidade de Ras Baalbeck, norte libanês, ele saiu do país em 1990, aos 17 anos. Na época, o dançarino morava em Beirute. O rapaz veio com a família porque seu país vivia a guerra civil. Já trouxe na bagagem o gosto pela dança. “Eu comecei a dançar no Líbano aos 10 anos”, conta. No país árabe, ele fazia aulas, dançava nas festas da escola e da família e participou do grupo Al Chabibe.

A participação no filme Lavoura Arcaica foi o pontapé da carreira no Brasil. Além de elenco de apoio, Nabak atuou como consultor de língua e cultura árabe. “Com as cenas do filme, relembrei características marcantes da minha origem e decidi me dedicar a projetos que mostrassem a alegria e a riqueza cultural do povo árabe”, relata. Desde então, o libanês estuda e pesquisa danças árabes e artes cênicas com o objetivo de difundir a dança folclórica libanesa.

Nabak também atuou na novela O Clone, da Rede Globo, representou o Brasil em festivais internacionais, lançou DVD e livro sobre a cultura libanesa e dá aulas de folclore e língua árabe no Centro Cultural Árabe Nabak, que fica no Clube Sírio e Libanês de Juiz de Fora, Minas Gerais, onde é diretor cultural. Em 2006 conseguiu o primeiro lugar na categoria dupla, com Bárbara Schalaucher, em um dos maiores festivais de dança árabe do Brasil, o Mercado Persa.

“O prêmio teve uma grande importância em minha carreira e foi uma das portas que impulsionou o meu trabalho em todo o Brasil”, diz. Rabak ministra worshops sobre dança árabe e participa de comissões de júri de dança. Ele mantém o grupo de dança Nabak e estudou outras modalidades de dança em função do trabalho de júri. Uma delas é a afro-brasileira, o que usou para interpretar um personagem no espetáculo teatral Orixás.

No trabalho atual para a Rede Globo, Nabak ministra aulas de dabke para atores como Antonio Fagundes, Antonio Calloni, Eliane Giardini, Juliana Paes e Cauã Reymond. Na festa de abertura dos encontros de preparação para a obra, o libanês se apresentou. Além de dar as aulas de dança, o libanês participa de palestras, aulas de corpo e leituras com o elenco. “Esse reconhecimento é mais um marco na minha jornada”, afirma.

O dabke é uma dança na qual as pessoas fazem rodas e pegam nas mãos uma das outras, saltitando e batendo os pés no chão. Na Globo, Nabak está ajudando a produção na formação de uma roda de dabke que fará parte de uma cena de casamento no fase inicial da minissérie. “A roda de dabke nunca se fecha, sempre cabe mais um”, diz Nabak, complementando que para dançar é preciso se deixar conduzir pela música e pelo ritmo com alegria. “É preciso também dançar com o coração para representar bem esta dança que é uma das tradições mais famosas da terra”, afirma o dançarino.

O dabke é uma dança do Líbano, mas foi levada para outros países da região, como Síria, Egito e Palestina. Cada país adaptou a dança ao seu estilo e modo. O dabke ensinado e dançado por Nabak é o original do Líbano. 

No Brasil, Nabak mora atualmente em Juiz de Fora. Como veio ao país bem moço, ele concluiu seus estudos e depois fez Turismo na Faculdade de Turismo de Santos Dumont, no estado de Minas Gerais. Nabak tem especialização em Eventos.

O dançarino viaja a cada dois anos ao Líbano. “Para rever familiares e amigos, reviver os costumes da terra, dançar nos casamentos das aldeias, apreciar os festivais internacionais de cultura como o de Baalbeck e buscar aperfeiçoar sempre os meus estudos em danças folclóricas árabes”, diz. Nabak é um fã da sua terra de origem. “Líbano, a minha terra amada, nela nasci e nela me inspiro para realizar a minha trajetória no país”, diz. Nos planos estão seguir divulgando a cultura libanesa.

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