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28/03/2017 - 07:00hs
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Brasileiros encerram escavação no Egito

Equipe liderada pelo arqueólogo José Roberto Pellini, da Universidade Federal de Sergipe, passou duas semanas explorando a tumba de um nobre em Luxor. Pesquisa continua no ano que vem.



Reprodução/Facebook

Pintura encontrada no sítio

São Paulo – Expedição brasileira inédita realizou este mês escavações em sítio arqueológico em Luxor, no Egito. Liderada pelo arqueólogo José Roberto Pellini, da Universidade Federal de Sergipe (UFS), a equipe abriu e explorou a tumba denominada TT 123 ao longo de duas semanas. O túmulo é de Amenemhet, funcionário do estado e escriba real no reinado do faraó Thutmosis III (1504 a 1450 a.C.), da 18ª dinastia. As iniciais “TT” vêm de “Tumba Tebana”, pois Tebas, a atual Luxor, era a capital do Egito Antigo durante o chamado Novo Império. Em setembro do ano passado, a ANBA antecipou que a missão seria realizada em março de 2017.

De acordo com Pellini, sua equipe foi a primeira a entrar na tumba desde o início do século passado e a primeira a fazer uma exploração científica do local. “Nós fizemos um reconhecimento geral, das condições físicas, dos relevos e desenhos”, disse o pesquisado por telefone do Cairo. Foram encontrados fragmentos de cerâmicas, de sarcófagos e de múmias, entre outros artefatos. “O mais importante é a qualidade dos relevos, e há cenas muito raras [retratadas]”, afirmou ele à ANBA.

Sobre os vestígios humanos, o professor diz que é difícil dizer se são do proprietário original ou não, pois tais locais foram utilizados posteriormente como depósitos de entulho, que podem conter fragmentos de outros túmulos. Ainda há muito a explorar.

Reprodução

Pellini com a mão na massa

“A missão foi 100% positiva, acima das nossas expectativas, a tumba é mais especial do que podíamos imaginar, talvez rivalize com a de Ramose na qualidade dos relevos e das pinturas”, comentou Pellini, referindo-se ao conhecido e belamente decorado túmulo de um nobre, localizado também em Luxor. “Mas ainda é muito cedo para dizer, muitas cenas precisam de conservação e restauração”, acrescentou. Desta vez, porém, não havia uma equipe específica para este trabalho. Entre as cenas “raras”, ele citou imagens de porcos e de charretes.

Durante as escavações, os arqueólogos encontraram passagens para uma sala dentro da própria TT 123 e para outra tumba. Este túmulo anexo, batizado de TT 293, é praticamente desconhecido. “Não sabemos quase nada dele, mas pensamos talvez em escavar no futuro”, comentou Pellini.

Uma das principais dificuldades encontradas pela equipe, segundo o pesquisador, foi a condição de outra tumba anexa, a TT 380, pertencente a Amenhotep Huy, que o grupo também tem a concessão de exploração. “O estado de conservação estava muito ruim, parte ameaçava ruir, então tivemos que tomar medidas urgentes, colocar estacas de madeira, por questão de segurança e para que no próximo ano ela esteja de pé”, declarou. Este trabalho foi feito com a ajuda de profissionais locais.

Retorno

Reprodução/Facebook

Foto da equipe conjunta: brasileiros, egípcios e uma húngara

O trabalho feito agora é uma primeira etapa das escavações. Os pesquisadores pretendem retornar ao local entre dezembro deste ano e fevereiro do próximo para uma temporada mais longa, de 45 dias. “No ano que vem nós faremos um trabalho mais pormenorizado”, observou Pellini. Para uma pesquisa mais ampla, porém, o grupo precisa de financiamento.

Eles pretendem também utilizar tecnologia de realidade virtual para oferecer ao público em geral a possibilidade de conhecer o sítio a distância. Algo nesse sentido já foi feito e postado no Facebook na forma de fotografias de 360°.

Pellini contou ainda que o ineditismo de uma missão brasileira chamou a atenção de maneira positiva no Egito, embora pesquisadores brasileiros já tenham participado de grupos internacionais. “O acolhimento foi fantástico, eles (os egípcios) têm um apreço, um carinho muito grande pelo Brasil”, observou.

Além de Pellini, integraram a equipe Julián Sánchez, doutor em Arqueologia pelo Museu Nacional (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e pesquisador associado do Laboratório de Arqueologia Sensorial da UFS, Caroline Murta Lemos, doutoranda e também pesquisadora associada do laboratório, e a egiptóloga húngara Bori Németh. Eles trabalharam em conjunto com um grupo de seis pessoas do Centro de Documentação do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito.

Veja mais imagens das escavações na página da missão no Facebook: www.facebook.com/BAPEresearch

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