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07/06/2017 - 07:00hs
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Novo embaixador nos Emirados quer atrair investimentos

Fernando Igreja assumirá em breve o posto em Abu Dhabi. Para ele, seu grande desafio será gerar interesse pelo aporte de recursos em projetos no Brasil.



Alexandre Rocha/ANBA

Igreja (dir.) com Alaby: Emirados têm importância fundamental para o Brasil

São Paulo – O novo embaixador brasileiro nos Emirados Árabes Unidos, Fernando Igreja, terá como principal desafio a atração de mais investimentos do país do Golfo ao Brasil. O diplomata segue para Abu Dhabi ainda este mês e esta semana está em São Paulo para reuniões com empresas, entidades setoriais e órgãos estatais para trocar informações e colocar a embaixada à disposição. Nesta terça-feira (06), Igreja visitou a Câmara de Comércio Árabe Brasileira, onde foi recebido pelo diretor-geral Michel Alaby.

“À parte de sua importância política, os Emirados têm importância econômica e comercial fundamental para o Brasil”, disse o embaixador em entrevista à ANBA. “É um país rico e que busca muitas possibilidades de investimentos no exterior. O grande desafio será atrair o interesse e os investimentos dos empresários dos Emirados ao Brasil, aprofundar as relações neste campo”, acrescentou.

Além da Câmara Árabe, nesta terça-feira Igreja esteve na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), no escritório da Câmara de Comércio e Indústria de Dubai na capital paulista e na Secretaria Municipal de Relações Internacionais. Na quarta-feira (07), o diplomata terá encontros com empresários na sede da Câmara Árabe.

Para ele, os setores que mais podem atrair o interesse de investidores dos Emirados são o agronegócio, infraestrutura, indústria de defesa e imobiliário. Na agropecuária, os países do Golfo em geral buscam empreendimentos no exterior para garantir o abastecimento de seus mercados, já que a produção de alimentos na região é extremamente deficitária.

“Na área de infraestrutura, o Brasil requer investimentos e eles podem se interessar”, observou Igreja. Já existem investimentos do Emirados neste setor no Brasil, na área portuária, por exemplo.

Na indústria de defesa, a indústria de armas de pequeno calibre Caracal, de Abu Dhabi, anunciou a construção de uma fábrica em Goiás, e a National Defense Company Council, entidade que reúne as empresas de defesa dos Emirados, assinou um acordo de cooperação com a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde), durante visita recente ao Brasil do ministro de Estado de Assuntos de Defesa da nação árabe, Mohammed Bin Ahmed Al Bowardi.

O setor imobiliário, por sua vez, é foco tradicional de interesse de investidores árabes, e fundos dos Emirados têm participações em empreendimentos no Brasil.

O embaixador vê oportunidades também de cooperação trilateral, onde um país entra com o investimento, outro com o know-how, mas o projeto propriamente dito é realizado num terceiro. “Nós temos grandes experiências em cooperação internacional e eles (os Emirados) têm os recursos”, declarou. Há um acordo de cooperação técnica em negociação entre os dois países.

O comércio é outra área em que Igreja avalia existir potencial de avanço. A corrente comercial entre o Brasil e os Emirados somou US$ 2,6 bilhões no ano passado, com um saldo favorável ao lado brasileiro em mais de US$ 1,8 bilhão, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). Os principais produtos exportados pelo Brasil foram açúcar e carne de frango.

“Há potencial para aumentar, os Emirados são quase como um entreposto, então produtos exportados pelo Brasil para lá depois podem ser reexportados para outros países. E temos condições de exportar produtos com maior valor agregado. Quanto mais intensificarmos nossas relações bilaterais, mais chance temos de aumentar o comércio”, destacou o diplomata.

Há chance também de aumento do turismo. Os dois países assinaram recentemente um acordo de isenção de vistos de visitantes, mas o documento ainda precisa ser ratificado pelo Congresso Nacional no Brasil. Segundo Igreja, o tratado já está na Câmara dos Deputados para tramitação e depois seguirá para o Senado. Ele espera que a ratificação ocorra até o final do ano. “O fluxo (de viajantes entre os dois países) pode se intensificar cada vez mais, tanto de turistas como de empresários”, ressaltou.

Igreja vê ainda potencial para cooperação cultural, como, por exemplo, na tradução de livros do português para o árabe e vice-versa.

Crise diplomática

O embaixador irá desembarcar em Abu Dhabi num momento delicado. Na segunda-feira (05), Arábia Saudita, Bahrein, Emirados, Iêmen e Egito anunciaram rompimento de relações diplomáticas com o Catar, sob o argumento de que Doha apoia grupos considerados terroristas, o que os catarianos negam. Nesta terça, o Itamaraty divulgou nota em que pede aos países para “retomarem o diálogo para a superação da crise” e “moderação com vistas à estabilidade da região”.

Para Igreja, o problema é “localizado” e “momentâneo”, acrescentando que já ocorreram desentendimentos diplomáticos entre estes países no passado, mas que foram solucionados. Ele ressaltou que as nações do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) se relacionam de forma pacífica.

“E é importante se manterem assim”, declarou o embaixador. O bloco é formado por Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados, Kuwait e Omã. “Não há interesse numa crise maior. A expectativa do Brasil - que tem excelentes relações com todos os países do Golfo - é essa. Nosso interesse é que a questão seja resolvida rapidamente e de forma pacífica”, destacou. Para ele, o problema não afetará as relações das nações envolvidas com o Brasil.

Igreja tem 52 anos, é formado em Direito e está na carreira diplomática há 31 anos. O posto em Abu Dhabi será seu primeiro como embaixador, mas ele já serviu em representações diplomáticas brasileiras em Lisboa, México, Paris, Boston e Argel. Na capital argelina ele foi responsável pelo setor de promoção comercial da embaixada. De 2013 a 2016, o diplomata foi chefe do cerimonial do Itamaraty. “Minha carreira é bem diversificada, tratei de assuntos diferentes como consulares, políticos, econômicos e muito de comércio na Argélia”, comentou.

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