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19/10/2017 - 16:45hs
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Empresas de Pernambuco buscam mercado árabe

Companhias e entidades setoriais do estado tiveram encontro com diplomatas árabes e africanos nesta quinta-feira (19), no Recife, e se mostraram dispostas a vender para a região.



Recife – As empresas de Pernambuco querem entrar e se expandir no mercado árabe. Cerca de 20 companhias e entidades setoriais do estado participaram nesta quinta-feira (19) de encontro com diplomatas árabes e africanos no Hotel Atlante Plaza, na capital Recife. Um grupo com 24 diplomatas está em Pernambuco para uma missão oficial, da qual também faz parte a Câmara de Comércio Árabe Brasileira e o Itamaraty.

Isaura Daniel/ANBA

Pernambucanos encontraram embaixadores

Entre as empresas presentes no encontro estava a Moura, que produz baterias automotivas e industriais. A companhia tem sede no interior pernambucano, na cidade de Belo Jardim, onde mantém cinco fábricas. Ela possui unidades industriais em São Paulo e na Argentina também.

De acordo com o consultor de negócios da Moura, Lucas Gama Ferreira, a empresa exporta principalmente para América do Sul e América Central, além de países africanos como Angola e Libéria. No mercado árabe ela está tentando entrar. Ferreira veio conversar com os diplomatas para conseguir contatos com o objetivo de encontrar distribuidores locais.

As usinas de açúcar Serra Grande e Trapiche, que têm operações em Pernambuco e Alagoas, também estiveram representadas no encontro com os embaixadores. De acordo com o assistente comercial Felipe Almeida, já ocorrem exportação para países do Oriente Médio, como Iêmen e Arábia Saudita, mas a maior parte das vendas externas – que são de 50% a 60% do negócio – vão para Costa Oeste da África.

Almeida estava no Hotel Atlante Plaza para identificar países que possam incrementar as exportações da empresa. Ele conta que a Europa entrará forte com sua produção de açúcar no mercado internacional em breve e a concorrência ficará bem acirrada. Por isso a ideia é garantir já mais espaço para a Serra Grande e a Trapiche.

Isaura Daniel/ANBA

Encontros ocorreram no Hotel Atlante Plaza

 A Altatronic, empresa que produz e comercializa sistemas elétricos, também quer entrar nos mercados árabes e africanos. A indústria exporta para países como Argentina, Paraguai e Bolívia. De acordo com a diretora da empresa, Carolina Fonseca, a companhia tem interesse em vender para os países da África e Oriente Médio, mas quer entender melhor esses mercados.

O embaixador da Argélia no Brasil, Toufik Dahmani, conversou com representantes de empresas Pernambuco interessadas em negociar com a Argélia e se mostrou muito satisfeito com os encontros. “Essa é uma relação humana e também econômica e comercial”, afirmou Dahmani à ANBA, ressaltando a importância dos contatos diretos.

O diretor-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, falou que o estado tem um grande potencial de negócios com os países árabes e africanos. Ele acredita que há boas possibilidades de exportar alimentos, como frutas e carnes, e importar produtos como algodão.

Investimentos

Os diplomatas ficaram sabendo também de algumas das oportunidades de investimentos que há no estado de Pernambuco. Na manhã desta quinta-feira, antes das reuniões com as empresas, eles ouviram uma apresentação do presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (ADDiper), Leonardo Cerquinho.

Isaura Daniel/ANBA

Cerquinho: oportunidades de investimentos

Ele falou aos embaixadores sobre projetos que podem interessar para investimentos, como uma possível privatização do aeroporto de Guararapes, concessão de rodovias no estado e a construção de novos terminais no Porto de Suape. De acordo com Cerquinho, há boas oportunidades em infraestrutura e distribuição.

Pernambuco é um polo distribuidor de produtos para outros estados próximos. Em função das conexões aéreas e do Porto de Suape, ele se tornou um centro de logística e distribuição para as regiões vizinhas. Cerquinho apresentou os diferentes setores produtivos presentes em Pernambuco, como estaleiros de navios, clusters farmacêutico e têxtil, polo de produção de uva e vinhos, de desenvolvimento de softwares, etc.

Apesar da proximidade de Pernambuco e a África via oceano, não existem muito transporte marítimo direto para o comércio, principalmente de contêineres. O embaixador de Angola no Brasil, Nelson Manuel Cosme, acredita que este pode ser um dos frutos da missão, o desenvolvimento de mais conexões marítimas e aéreas de Pernambuco com a África.

Missão

Isaura Daniel/ANBA

Embaixador da Angola: conexão marítima

Os embaixadores estão satisfeitos com a iniciativa de uma missão conjunta entre árabes e africanos. “Foi uma bela iniciativa (da missão) e devemos não parar por aqui, mas torná-la um mecanismo regional de consultas”, disse Cosme à ANBA. “É uma oportunidade para solidificar a relações dos países árabes e africanos juntamente com o estado de Pernambuco”, acrescentou o diplomata da Argélia, que também espera que a ação se repita.

O presidente da Câmara Árabe, Rubens Hannun, participou da abertura das atividades da missão e também enfatizou a importância dessa integração entre diplomatas das duas regiões. Ele disse que a escolha de Pernambuco como destino da delegação foi acertada em função dos laços culturais e históricos do estado com os árabes e os africanos. O decano do Conselho dos Embaixadores Árabes no Brasil e embaixador da Palestina, Ibrahim Alzeben, também ressaltou o acerto da iniciativa.

Turismo

Os diplomatas ainda ouviram na manhã desta quinta-feira uma apresentação sobre o turismo no estado. O presidente da Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur), Adailton Feitosa, contou que o estado adotou uma política estratégica de aumento de conexões aéreas, o que segundo ele foi acertada para o aumento no fluxo turístico.

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Hannun falou na abertura da agenda no Recife

Há dois anos e meio o estado tinha quatro voos internacionais diretos e hoje tem 15. O resultado apareceu nos números, já que Pernambuco recebeu 5,6 milhões de turistas no ano passado, contra 5 milhões em 2015. Até agosto deste ano já foram 4 milhões e a expectativa é receber 6 milhões de turistas até o final do ano, segundo Feitosa. A Argentina é a maior emissora internacional, e o estado de São Paulo é a principal origem dos visitantes domésticos.

A secretária executiva de Relações Internacionais de Pernambuco, Rachel Pontes, também esteve com os embaixadores nesta quinta-feira e falou que o estado tem muito o que trocar com os árabes e africanos. “Estamos no mesmo desafio, do desenvolvimento, de como enfrentar da rápida urbanização sem sofrer seus efeitos negativos”, disse.

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