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07/11/2017 - 18:36hs
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Ferrovia no Brasil desperta interesse de sauditas

Delegação do governo brasileiro se reuniu com representantes de fundos em Riad e apresentou o projeto da Ferrogrão, que pretende ligar Mato Grosso ao Pará, entre outros empreendimentos.



São Paulo – Investidores sauditas manifestaram interesse pela Ferrogrão, projeto de uma ferrovia que sai de Sinop, no Norte de Mato Grosso, e vai até Itaituba, no Pará, onde fica o Porto de Miritituba, no Rio Tapajós. Este e outros projetos foram apresentados por uma delegação do governo brasileiro para executivos de fundos e outras instituições financeiras da Arábia Saudita nesta terça-feira (07), em Riad.

“Eles demonstraram interesse em ativos no Brasil e em estreitar relações com o País. Projetos relacionados à segurança alimentar chamaram muito a atenção, como a Ferrogrão”, disse à ANBA por telefone o secretário de Coordenação de Projetos do Programa de Parceria de Investimentos (PPI) do governo federal, Tarcísio Gomes de Freitas, que lidera o grupo brasileiro em missão a países árabes do Golfo. “Há um interesse significativo na área de segurança alimentar”, acrescentou o diretor-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, que integra a delegação.

Divulgação

Delegação faz tour pelo Golfo em busca de investimentos

Segundo Freitas, a ferrovia despertou o interesse principalmente de representantes da Saudi Agriculture & Livestock Investment Company (Salic), estatal que investe em projetos ligados ao agronegócio no exterior. A Salic já tem investimentos no Brasil. A companhia detém quase 20% de participação acionária no frigorífico Minerva.

O objetivo da Ferrogrão é conectar a região produtora de grãos de Mato Grosso ao chamado Arco Norte, por onde as mercadorias serão exportadas. Hoje a ligação entre o Norte de Matogrosso e o terminal fluvial no Pará é feito pelas Rodovias BR-163 (Cuiabá-Santarém) e BR-230 (Transamazônica), que têm trechos em péssimas condições. É uma alternativa muito mais próxima, porém, do que os portos de Santos, em São Paulo, e de Paranaguá, no Paraná, por onde a produção do estado do Centro-Oeste também é escoada.

A construção e operação da ferrovia serão concedidas à iniciativa privada. Em 30 de outubro foi aberta consulta pública ao projeto. Na avaliação de Freitas, se não houver nenhuma paralização na tramitação do processo, o edital deverá ser publicado no primeiro quadrimestre de 2018 e o leilão poderá ocorrer no início do segundo semestre. A distância a ser percorrida pela ferrovia é de 933 quilômetros, e os investimentos previstos são de R$ 12,6 bilhões.

"A construção de uma ferrovia demanda um grande volume de recursos, e a melhor forma de conseguir isso é ter muitas parcerias", comentou Freitas. "Eles (Salic) demonstraram estar sensíveis ao tema, e querem mais informações e aprofundamento das discussões", acrescentou.

Além da Salic, o grupo se reuniu com representantes da Saudi Arabian Monetary Agency (Sama), o banco central do país; com o Saudi Fund for Development (SFD), instituição financeira que financia projetos em países em desenvolvimento; com o fundo soberano Public Investment Fund (PIF), que controla a Salic; e com o fundo de pensão General Organization for Social Insurance (Gosi).

No caso da reunião com o Gosi, Freitas destacou que a instituição está interessada em investir em ativos que deem retorno de longo prazo e quer buscar um gestor de fundos no Brasil. "Caberá a nós fazer esta ligação entre eles", informou. Ele citou como exemplos de potenciais parceiros no País fundos que investem em infraestrutura ou que se preparam para fazê-lo e precisam captar recursos. "É missão do PPI estabelecer esta ponte também", afirmou.

A delegação ainda se encontrou com executivos de bancos sauditas na embaixada do Brasil em Riad. Integram a missão também representantes do Ministério dos Transportes, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), e o diretor de investimentos da Câmara Árabe, Daniel Hannun.

"Temos agora que fazer um bom trabalho de ‘follow-up’, pois as perspectivas de negócios são boas", observou Freitas. "A Arábia Saudita é um país muito importante, representa cerca de 70% da economia do Golfo, então nós temos que ter uma postura muito assertiva, isso pode render investimentos", concluiu.

Além da Arábia Saudita, o grupo já passou pelos Emirados Árabes Unidos, e agora segue para o Bahrein, depois Kuwait e Catar.

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