31/08/2008 - 07:00
Desenvolvimento sustentável
Brasil prepara o plantio da terra quente
A pesquisa brasileira vai em busca de uma nova agricultura, de dias mais quentes. Num mundo de temperatura elevada, o país quer continuar a ser um dos maiores produtores mundiais de alimentos.
É esse movimento, descrito em curtas palavras, que vem causando preocupação entre os que trabalham com a agricultura no Brasil e no mundo. Nos institutos de pesquisa agrícola do país, há algum tempo a temperatura da terra passou a ocupar a pauta do dia. Ali, há uma corrida para levar rapidamente ao campo receitas para colher bem num mundo mais quente.
Pesquisas apontam para uma elevação de temperatura entre 1,4º e 5,4º até 2100. Já se percebe, segundo os especialistas, períodos de estiagem mais prolongados e chuvas condensadas em espaço de tempo menor, dando vazão aos rios mais facilmente. Esses fenômenos acentuados devem mudar a geografia da agricultura brasileira, tornando regiões produtoras inadequadas para o tipo de cultura a qual estão acostumadas.
Um estudo do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), Universidade de Campinas (Unicamp) e a unidade de Informática Agropecuária da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) afirma que essas mudanças poderão causar R$ 7,4 bilhões de prejuízos para a agricultura brasileira já em 2020. O país, porém, quer alcançar a linha de chegada antes do prejuízo.
A Embrapa, segundo o pesquisador da unidade Informática, Giampaolo Queiroz Pellegrino, trabalha em dois sentidos. Para diminuir a emissão de gases provocadores do efeito estufa, estimulando, por exemplo, a produção de bioenergia, como o álcool e biodiesel. E para adaptar os cultivos à elevação da temperatura e seus efeitos. Aí entram desde a pesquisa para chegar a sementes mais adequadas ao calor e às cheias, técnicas de armazenamento de água até a integração lavoura-pecuária, que ajuda a manter o solo mais úmido, em função da matéria orgânica que é depositada nele.
O superintendente de Usos Múltiplos da Agência Nacional das Águas (ANA), Joaquim Gondim, afirma que o grande desafio da agricultura brasileira, diante de um aquecimento global, será a gestão das águas. “Os países terão que trazer a água dos anos de cheia para os períodos de seca, construir infra-estrutura de reservatórios”, afirma. Segundo Gondim, mesmo para uso da irrigação, uma das alternativas já utilizadas no Brasil na produção em regiões de seca, é preciso que haja um planejamento do uso da água.
No Instituto Agronômico (IAC), ligado ao governo paulista, várias pesquisas apontam caminhos para produzir bem frente a um aquecimento global. O organismo trabalha com a possibilidade de aumento de três graus na temperatura da terra. E os estudos já levaram os pesquisadores a soluções de sementes mais adaptadas ao calor para áreas como a cafeicultura, fruticultura, cana-de-açúcar e até mesmo feijão.
A cartela de pesquisa desenvolvida nesta área no Brasil já é volumosa. Nem toda ela, porém, chegou ao campo. As técnicas mais utilizadas entre os produtores ainda são as mais antigas e populares, como o plantio direto e a rotação de culturas. Elas também servem, porém, para amenizar os efeitos do clima.
1 Comentário
Existe algum tipo de plantio à ser desenvolvido em terras secas do interior do Ceará (Reiriutaba)?
Como poderia ser?
Grato,
Aloysio
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