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31/08/2008 - 07:00

Desenvolvimento sustentável

O café do futuro

Geovana Pagel e Isaura Daniel
São Paulo – O café plantado é de um tipo adequado a temperaturas altas. As plantas são cultivadas em meio a um ambiente arborizado, que as permitem crescer com sombra. O mato, bem manejado, também convive com a lavoura, entre as fileiras de café. E cada pé de café, plantado bem juntinho, recebe irrigação quando necessário. Essa é a lavoura de café do futuro, de um Brasil e um planeta de temperatura elevada.

Cláudia Abreu/Agência Meios Cláudia Abreu/Agência Meios

Café vem sendo adaptado a mudanças de clima

Não necessariamente estas técnicas precisam ser usadas juntas ou vão bem umas com as outras, mas são algumas das soluções colocadas no mercado pelos institutos de pesquisa para se produzir café em um cenário de aquecimento global. Elas saíram de portas como as do Instituto Agronômico (IAC) e do Instituto de Pesquisa do Paraná (Iapar). O Iapar desenvolveu 13 cultivares de café mais adequadas ao aquecimento global em 30 anos.

O destaque, já disponível para os produtores, é a IPR 103, indicada para regiões quentes e solos pobres, adaptada a variações extremas de temperatura. Ela tem maturação tardia, resistência a doenças como ferrugem e necrose de frutos e ramos. “Vamos supor que a temperatura do planeta aumente até dois graus centígrados. A IPR 103 será resistente”, diz o geneticista do IAPAR, Tumoro Sera, engenheiro agrônomo pós-doutor em genética.

O IAC também trabalha no desenvolvimento de sementes mais adequadas ao calor e à seca e ainda indica algumas técnicas para que o café conviva melhor com a estiagem. O manejo do mato é uma delas, segundo o pesquisador e diretor da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) de Café do IAC, Luiz Carlos Fazuoli. A idéia é deixar o mato crescer na rua entre as fileiras do café, o que, por exemplo, ajuda a evitar erosão, reduz a temperatura da terra e aumenta o teor de matéria orgânica no solo.

De acordo com Fazuoli isso já está sendo feito por produtores brasileiros. Há ainda a possibilidade de cultivar o café em local arborizado, com árvores como bananeira, eucalipto e abacateiro, o que ajuda a amenizar a temperatura em dois graus. O adensamento é outra técnica recomendada. Os pés de café são plantados mais juntos, evitando a perda de água do solo. A prática, porém, ainda não é utilizada no Brasil, segundo Fazuoli, porque a colheita, neste caso, precisa ser manual.

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