23/05/2010 - 07:00
Especiais
Tramas árabes nas ruas de São Paulo
Influência da arquitetura árabe na maior metrópole brasileira pode ser vista até hoje, principalmente nas ruas de bairros da Zona Sul e do Centro, com edificações ricas em azulejos, balcões e arcos.
O professor Rafael Manzo: arquitetura era forma de reafirmar origem dos imigrantes
De acordo com o arquiteto e professor da Faculdade de Belas Artes de São Paulo, Rafael Manzo, esse legado chegou até nós de forma indireta, a partir da colonização portuguesa. “Os azulejos de Portugal, por exemplo, vêm da tradição moura, assim como as treliças, varandas, arcos e balcões”, explica. “Não podemos esquecer que a Península Ibérica ficou sete séculos sob a ocupação moura e que isso teve um impacto muito grande em Portugal e na Espanha”, diz.
Manzo afirma ainda que a influência árabe na arquitetura de São Paulo se deu primeiramente como uma forma de reafirmação da origem dos imigrantes. “Entre aqueles que vinham de fora, era normal construir casas que identificassem de que país eram os seus moradores. Foi assim com os italianos também”, diz. “Nas residências árabes, mesmo as famílias não islâmicas buscavam incluir características dessa arquitetura em suas casas, como as janelas e portas com arcos em forma de ferradura e bulbos”, explica.
Construção com traços árabes na Zona Sul de São Paulo: riqueza de detalhes
Como exemplo de edificações com características das arábias que podem ser observadas até hoje na capital paulista, o professor destaca prédios comerciais e residências na Zona Sul da cidade. “Na região da Rua 25 de Março, no Centro, também é possível observar edifícios construídos por sírios e libaneses com várias referências à arquitetura árabe”, diz Manzo.
Foi exatamente com o objetivo de destacar referências que o arquiteto e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Sami Bussab, elaborou, junto com os arquitetos Paulo de Melo Saraiva e Miguel Juliano a ideia vencedora de um concurso para o projeto do salão de festas do Esporte Clube Sírio, em São Paulo, em 1965. “Usamos arcos para compor o espaço, numa interpretação desse elemento árabe na arquitetura moderna”, explica.
Vista do salão nobre do Esporte Clube Sírio, na capital paulista: referência está nos arcos
Segundo Bussab, o Clube Monte Líbano, também na capital paulista, possui áreas internas adornadas com detalhes como desenhos no teto e no piso para homenagear as origens de seus frequentadores.
Também de origem árabe, o arquiteto, conselheiro do Instituto de Arquitetos do Brasil e diretor da Mútua São Paulo, Marcelo Hobeika, nasceu em Campinas, mas viveu no Líbano dos 03 aos 18 anos com a família. Para matar as saudades da terra de seus pais, onde, diz ele, as casas valorizam os pátios e espaços abertos, Hobeika gosta de circular pelo Centro de São Paulo. “Os arredores do Viaduto do Chá, sempre com muito trânsito e movimento de gente, me fazem lembrar o Líbano”, diz ele, com a autoridade de admirador da caprichosa arquitetura árabe desde pequenininho.
1 Comentário
Bela, Gostei muito da reportagem, sou descendente de espanhol por parte de pai e ele sempre se disse de origem moura! Gostei de ler sobre isso aqui. E também como adoro fotografia e arquitetura curti muito as informações e já estou pensando em sair por aí num domingo clicando.
bjs.
Mariane.
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