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17/08/2010 - 08:00hs
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A comunidade dos ‘brasilibaneses’



São Paulo – Os brasileiros que vivem no Líbano fazem parte de uma história de imigração que começou no início do século 20. Eles não são pilotos, nem comissários, executivos ou jogadores de futebol, mas, em geral, filhos, netos, bisnetos ou mulheres de imigrantes libaneses que um dia moraram no Brasil.

O pesquisador e historiador Roberto Khatlab chama a comunidade de “brasilibaneses”, um neologismo para esses cidadãos binacionais. A embaixada do Brasil em Beirute estima que existem cerca de 15 mil brasileiros no Líbano, sendo 9 mil registrados no consulado.

Roberto Khatlab/Arquivo Pessoal
Roberto Khatlab/Arquivo Pessoal

Crianças brasileiras no Centro Dari



“A imigração libanesa (para o Brasil) começou no século 19 e ainda continua. Essa imigração mais nova, que é majoritariamente de origem muçulmana, também é acolhida por algum parente, como os brasileiros que vêm para o Líbano e que querem prosperar”, afirmou o ministro-conselheiro da embaixada do Brasil em Beirute, Roberto Medeiros.

Na região do Vale do Bekaa, localizada há 30 quilômetros de Beirute, por exemplo, existe uma das maiores comunidades de “brasilibaneses”, pois foi a região de onde mais saíram libaneses para o Brasil. Segundo Khatlab, a maioria das pessoas que moram na região fala o português e come feijão com arroz.

De acordo com Medeiros, os expatriados têm sido acolhidos no Líbano como brasileiros e, sobretudo, como libaneses – já que são descendentes de cidadãos libaneses emigrados – o que provavelmente não os leva a sentirem tanta necessidade de afirmarem sua nacionalidade brasileira. Mesmo assim, existe um número pequeno e informal de associações brasileiras entre os membros da comunidade interessados em promover a cultura brasileira.

“Nós, da embaixada, estamos tentando dinamizar a cultura brasileira no Líbano, desenvolvendo meios para ter uma presença maior e alimentar o interesse da comunidade”, afirmou. Segundo ele, no ano passado, a Embaixada do Brasil realizou, com auxílio de patrocinadores privados, o maior desfile de carnaval brasileiro no país, com mais de 75 mil pessoas em diversas ruas. Medeiros disse ainda que a embaixada está envolvida em diversos projetos e acordos com o Brasil que buscam promover ainda mais a cultura brasileira no Líbano.

Alguns exemplos de ações que têm sido feitas, tanto pela embaixada quanto por grupos voluntários, são a Biblioteca Latino-Americana da Universidade Saint-Esprit, com livros em espanhol e português e temas da América Latina; e a criação, este ano, do Centro Dari, local para que crianças brasileiras interajam e convivam melhor com os costumes do Brasil.(Marina Sarruf)

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