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14/09/2006 - 07:00hs
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Jóias da floresta

Designers brasileiros criam e exportam jóias que retratam a natureza da Amazônia. Holanda, Portugal, Inglaterra, Itália, França e Estados Unidos estão entre os importadores das peças. Elas são feitas com sementes, restos de madeira e fibras naturais, além de metais preciosos.



Divulgação
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Peças de Rita Prossi levam matéria-prima da Amazônia

Geovana Pagel


São Paulo – A artesã e designer Rita Prossi retrata as belezas da floresta amazônica em jóias há 12 anos. As lendas, o folclore, os costumes e a cultura local servem de inspiração na hora de criar as coleções que atraem os olhares do Brasil e do mundo. Rita já vendeu peças para Holanda, Inglaterra, Portugal, Itália e Estados Unidos.


Para a confecção e caracterização das biojóias, a artesã trabalha com palha de arumã, fibra de uma palmeira da Amazônia, o couro de peixe, as sementes não-germináveis, que caem das árvores ou das frutas que são consumidas pelos moradores da região, a madeira e as fibras naturais com metais preciosos. "Tudo ecologicamente correto", destaca.


A empresária trabalha com mão-de-obra local e também gera renda para as comunidades e aldeias indígenas. Assim acontece com os índios Waimiri Atroari, por exemplo, que produzem as tramas da palha de arumã, matéria-prima existente em abundância na tribo. "Assim eles não precisam sair do lugar deles", afirma a designer. Com a ajuda de mais oito pessoas, ela produz em média 350 peças por semana.


As jóias são comercializadas no ponto-de-venda localizado na Central do Artesanato do Amazonas, em Manaus, em algumas lojas dos shoppings da cidade e nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul.


Rita Prossi também é poetisa e como nasceu no interior do Amazonas, cresceu em contato direto com a natureza. Na adolescência passou um tempo em São Paulo onde fez diversos cursos de artesanato. "Em São Paulo eu juntei as duas coisas: poesia e artesanato. Eu confeccionava os cenários das apresentações de dança da minha irmã que criava as coreografias inspirada pelas minhas poesias que retratavam em versos a saudade que eu sentia do Amazonas", lembra. 


Rita voltou para Manaus e montou uma pequena empresa para revenda de jóias. Porém, ela queria fazer algo que gostasse de confeccionar e que ninguém nunca tivesse visto. "O problema inicial que tive é que as pessoas enxergavam o meu trabalho como obra de arte. E, na verdade, eu queria popularizar as minhas peças", explica. "O começo foi bem difícil. Um grupo muito pequeno de pessoas comprava minhas peças. Hoje, felizmente, o exótico está na moda", comemora.


Mais tarde ela foi para o Rio de Janeiro se especializar em designer de jóias. A partir daí, o Instituto Brasileiro de Gemas e Jóias (IBGM) passou a convidá-la para participar de feiras. Em 1999, o IBGM selecionou uma de suas coleções para estar entre os 50 designers brasileiros que integraram o "Book de Designers Brasileiro", lançado em Hong Kong, na China, e depois na Austrália.


Recentemente, a designer foi selecionada pelo Prêmio Top 100 de Artesanato, promovido pelo Sebrae, que selecionou as 100 melhores unidades produtivas do país. A peça "brinco de um lado só", da coleção Pena Gavião Real criada por Rita foi selecionado para compor o caderno de tendências 2007 do IBGM.


Sementes preciosas 


O artista plástico e designer, Jander Cabral, também busca na floresta Amazônia a matéria-prima para criar suas biojóias. As mãos do artista transformam jarina, babaçu, baxiúba, açaí e restos de madeira de tucumã em colares, brincos, anéis e pulseiras. Desde 2001 suas peças são exportadas para Inglaterra, Estados Unidos e França.


Para compor as peças Jander utiliza metais como prata e aço. Ele lança cerca de cinco coleções novas a cada ano. "Preciso apresentar novidades para meus clientes a cada dois meses, no máximo", explica Jander. A produção diária gira em torno de 100 a 150 peças. Para dar conta da demanda, ele conta com a ajuda de mais seis artesãos.


Jander começou a trabalhar como artista plástico ornamentando eventos em São Paulo e produzindo alegorias para escolas de samba no Rio e em Salvador. "Em 1999 fui responsável pela decoração dos palcos e da capital baiana durante o carnaval que homenageou a índia Catarina Paraguaçu", conta orgulhoso. Paraguaçu era da tribo Tupinambá, nativa da região onde hoje é o estado da Bahia. Ela casou com o navegador português Diogo Álvares Correia, batizado de Caramuru pelos índios.


No retorno para casa Jander levou várias idéias que surgiram a partir da observação de desfiles de moda no eixo Rio-São Paulo. O empresário queria trabalhar em algo que não tornasse necessário sair de Manaus, e ao mesmo tempo, permitisse aproveitar a experiência adquirida durante suas viagens. Foi quando resolveu investir em biojóias.


"Aqui em Manaus até então só existia moda indígena. Eu achei que era possível inovar utilizando os mesmos recursos naturais", conta. As sementes utilizadas nas peças são adquiridas no município de Altazes, a 113 quilômetros da capital, e outras cidades vizinhas como Benjamin Constant.


A atividade de Jander garante trabalho para cinco famílias, que fazem a colheita das sementes. O artesão participa de todo o processo, desde a seleção até a criação e produção das peças. "O produto que faço não agride a natureza. As famílias só recolhem as sementes que caem no chão. A semente de jarina, por exemplo, só solta a casca após cair no chão. Esse processo leva cerca de 40 dias. Depois disso, as sementes são moldadas, lapidadas, e depois de prontas ficam armazenadas por cerca de 30 dias. Nesse período eu analiso o que ficou bom ou não", explica.


As peças de Jander são lixadas três vezes, em vez de uma. Isso permite que a peça adquira mais brilho. O diferencial é que Jander não lixa as peças em máquina. O trabalho é todo manual, peça por peça. "São peças sem riscos e sem marcas", garante.


Contato


Rita Prossi
Telefone:
55 (92) 3237-6237
E-mail: contato@ritaprossi.com


Jander Cabral
Telefone: 55 (92) 3248 5130 e 55 (92) 9991.3426
E-mail: jandercabral@bol.com.br


 


 

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