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25/03/2011 - 08:30hs
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A São Paulo árabe

Presença de imigrantes sírios e libaneses pode ser sentida em todas as regiões da capital. Uma influência vista nas ruas, na gastronomia, na cultura, na história e na economia da maior cidade do país.



Sérgio Tomisaki/Agência Meios
Sérgio Tomisaki/Agência Meios

Rua 25 de Março é como um mega 'souq' árabe

São Paulo - A maior metrópole brasileira é uma cidade árabe. Principal destino dos imigrantes que chegaram ao País no final do século 19, São Paulo traz nas ruas, nos hábitos, na cultura, arquitetura, gastronomia, economia e até nos serviços de saúde a marca dos povos do Oriente Médio que aqui se estabeleceram. Basta parar e observar ao redor. No mínimo haverá uma lanchonete onde é possível comer esfiha e quibe.

Para conhecer melhor a presença das arábias na capital paulista, e celebrar o 25 de Março, Dia Nacional da Comunidade Árabe, que tal um roteiro que envolva alguns dos destaques de cada região?

Partindo do Centro, onde o coração da comunidade bate mais forte, a Rua 25 de Março, a partir da qual foi criada a homenagem, é a principal referência. Reduto dos primeiros imigrantes sírios e libaneses, a região se transformou no maior pólo de comércio popular do Brasil.

Arquivo Pessoal
Arquivo Pessoal

Mouawad com os pais na Semaan, na região da 25: vocação para o comércio

A 25, como é mais conhecida, atrai consumidores de todo o país com seus armarinhos e lojas de tecidos, acessórios e utilidades domésticas que vendem tudo e mais um pouco. Uma máquina de vendas que movimenta R$ 10 bilhões por ano com suas 3 mil empresas. De acordo com a União dos Lojistas da 25 de Março e Adjacências (Univinco), 40% desses empreendimentos têm sotaque árabe.

“O Centro é disparado a região mais árabe de São Paulo”, explica o diretor da Univinco e empresário, Marcelo Mouawad, que está à frente da rede de lojas Semaan com o pai, Semaan Mouawad. “A 25 se tornou o que é exatamente porque os empreendedores da comunidade sempre se preocuparam em acompanhar suas empresas de perto e atender bem os clientes”, conta. “Temos uma cultura milenar de talento para o comércio.”

Arquivo Pessoal
Arquivo Pessoal

A família de Mouawad ainda no Líbano: paz e prosperidade em São Paulo

Paulistano orgulhoso de suas origens, Mouawad lembra com carinho a trajetória de seus antepassados. E conta que foi seu avô, Halim Ghazal Mouawad, quem decidiu imigrar para cá, em 1947, com a mulher, Badra Maatouk Mouawad, e os filhos. “Foi mais uma família de heróis árabes que encontrou no Brasil uma terra acolhedora para criar seus negócios e viver em paz”, diz.

Um pouco mais adiante, a uma caminhada de dez minutos da 25, na chamada Zona Cerealista da cidade, o Tio Ali Empório tem como forte a oferta de artigos importados das arábias, principalmente do Líbano. Passe por lá se quiser encher as sacolas de grão de bico, temperos como tahine, zaatar, água de rosas e halawi (doce de gergelim), entre outras iguarias. “Atendo clientes de todas as origens aqui”, explica João Baptista Ramos Júnior, proprietário da empresa.

Nascido no Paraná, o empresário conta que aprende negociando com os fornecedores árabes. E comemora o fato de, em qualquer parte da São Paulo, encontrar um restaurante para matar sua fome de esfihas e quibe. “Adoro a gastronomia árabe. Sempre levo pão sírio e chancliche para casa”, diz (assista abaixo trechos das entrevistas com os comerciantes).

Sérgio Tomisaki/Agência Meios
Sérgio Tomisaki/Agência Meios

Mesquita Brasil numa sexta-feira, dia de oração comunitária



Antes de deixar a região central, lembre-se que a área abriga ainda outras marcas da presença árabe na capital, como o Hospital Sírio-Libanês, na Bela Vista, e a Mesquita Brasil, na Avenida do Estado.

Paraíso da boa mesa

Depois do Centro, a região Sul da metrópole é a que mais faz referências à trajetória dos imigrantes no Brasil. Há, por exemplo, muitos nomes de ruas, como Avenida República do Líbano, Viaduto República Árabe Síria e Rua República do Iraque. A capital do Iraque, aliás, também foi homenageada, só que na Zona Leste, em São Miguel Paulista. Nos registros da Prefeitura, a Rua Bagdá existe desde 1978 no bairro.

De volta ao Sul, destaque para a Catedral Ortodoxa Síria e para Igreja Greco Melquita Nossa Senhora do Paraíso, ambas no Paraíso, bairro conhecido ainda pela concentração de restaurantes especializados nas delícias das arábias.

Alexandre Rocha/ANBA
Alexandre Rocha/ANBA

Culto na Catedral Ortodoxa

O Tenda do Nilo, na Rua Coronel Oscar Porto, é um deles. À frente das panelas com a irmã, Xmune, Olinda Isper confirma o número alto de boas casas do ramo por ali. Mas diz que recebe clientes de todas as partes. “A comida árabe é muito bem aceita em São Paulo”, explica Olinda. “Eu diria até que é a segunda mais bem aceita, depois da italiana”, completa.

Por falar em boa mesa, saindo da Zona Sul, a Zona Norte é sede de uma das mais famosas baladas temáticas da capital paulista: o Alibabar. Além do cardápio que inclui pratos como kafta, quibe cru e falafel (bolinho de grão de bico), a casa promove ainda shows de dança do ventre e dabke (dança folclórica) para animar a pista. E fechar o tour árabe pela cidade mais árabe do Brasil.

Roteiro

Semaan Brinquedos
Rua Cavaleiro Basílio Jafet 138, Centro
Tel.: (11) 3228-0504
Site: www.semaanbrinquedos.com.br

Tio Ali
Rua Santa Rosa 60/62, Centro
Tel.: (11) 3228-7138

Catedral Ortodoxa Síria
Rua Vergueiro 1515, Paraíso

Igreja Greco Melquita Nossa Senhora do Paraíso
Rua Paraíso 21, Paraíso

Tenda do Nilo
Rua Coronel Oscar Porto 638
Tel.: (11) 3885-0460

Alibabar
Av. Luiz Dumont Vilares 697, Santana
Tel.: (11) 2281-7845

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